segunda-feira, 6 de abril de 2015

Esboço para um Movimento Negro de "Direita-Conservadora e Direita-Liberal".

O negro e a direita

A direita negra, ou conservadorismo negro, é um movimento político e social enraizado nas comunidades de descendentes de africanos que se alinham ao movimento conservador ou liberal. Entre os americanos, é referido como conservadorismo negro (em inglês, conservative ou conservador é um termo quase equivalente ao “direitista” aqui). O direitismo negro americano enfatiza o tradicionalismo, o patriotismo, o capitalismo, o livre mercado e um forte conservadorismo social dentro do contexto da Black Church.

I. Conceitos-chave:

Black church – Igrejas que ministram para congregações predominantemente negras nos Estados Unidos. Algumas são de denominações predominantemente negras como a Igreja Episcopal Metodista Africana (AME). A maioria das primeiras congregações e igrejas negras formaram-se antes de 1800 por negros livres – por exemplo, na Filadélfia (Pensilvânia), Petersburgo (Virgínia) e Savana (Geórgia). A mais antiga igreja batista negra fica em Kentucky.

Empowerment – Aumentar a força espiritual, política, social, educacional ou econômica de indivíduos e comunidades. Dentro de um contexto empresarial, refere-se a garantir maior poder de decisão para funcionários.

Black empowerment – Empowerment de indivíduos ou comunidades negras através do aprimoramento acadêmico e profissional, estabelecimento de fortes relações econômicas ou mesmo estimulando a responsabilidade familiar e a gestão de negócios familiares.

Welfare State – Também chamado “estado do bem-estar social”, é um tipo de organização política e econômica que coloca o Estado  como agente da promoção social e organizador da economia. Nesta orientação, o Estado é o agente regulamentador de toda vida e saúde social, política e econômica do país em conluio com sindicatos e empresas privadas, em níveis diferentes, de acordo com o país em questão.

Beloved Community – Conceito central da filosofia de Martin Luther King Jr. King o define assim o seu objetivo: “é a reconciliação, … redenção, a criação de uma amada comunidade.” Junto à SCLC, King definia: “O objetivo final da SCLC é promover e criar a ‘amada comunidade’ na América, onde a irmandade é uma realidade… A SCLC trabalha pela integração. Nosso objetivo é a genuína vida interpessoal e intergrupal — integração.” E em seu último livro ele declara: “Nossas lealdades devem transcender nossa raça, nossa tribo, nossa classe, e nossa nação…”

A visão da sociedade de King era a de uma sociedade completamente integrada, uma comunidade de amor e justiça dentro da qual a irmandade seria uma realidade em toda a vida social. Em sua mente, esta comunidade seria a expressão corpórea ideal da fé cristã.

II. Características da direita entre os negros americanos

Algumas das principais características da direita entre os negros americanos é a ênfase na escolha pessoal e nas responsabilidades acima do status sócio-econômico e do racismo institucional. Tradicionalmente, políticos negros americanos tendem a alinhar-se com o pensamento de Booker T. Washington. Para muitos direitistas negros, a missão principal é trazer sucesso à comunidade negra aplicando os seguintes princípios fundamentais:
  • A busca da excelência educacional e profissional como um meio de avançar dentro da sociedade;

  • Políticas que promovam segurança na comunidade além da típica rotulação de criminosos como “vítimas” do racismo da sociedade.

  • Desenvolvimento econômico local através da livre empresa, em vez de buscar por assistência do governo.

  • Empowerment do indivíduo através do auto-desenvolvimento (virtude), consciência e graça. (o último conceito é espiritual, e tem a ver com a Black Church)

Conservadores negros podem ter idéias em comum com nacionalistas negros dada a sua crença compartilhada no black empowerment e na teoria de que os negros tem sido enganados pelo Welfare state.

Os direitistas negros, tipicamente, se opoem às chamadas “ações afirmativas”. Argumentam que os esforços para obter algum tipo de “reparação” pela escravidão são tanto equivocados como contra-produtivos. Direitistas negros famosos são Thomas Sowell, Armstrong Williams, Walter Williams e Clarence Thomas, além de outras figuras históricas memoráveis como Frederick Douglass, Martin Luther King Jr., Booker T. Washington, etc. Os conservadores negros são a favor da integração e consequentemente entram em desacordo com nacionalistas negros, que são mais nativistas e segregacionistas. São mais inclinados a apoiar políticas econômicas de globalização, livre mercado e cortes na tributação.

O termo “Black Republican” (Negro Republicano) foi criado pelos Democratas (partido de esquerda americano) em 1854 para descrever o recém-formado Partido Republicano. Ainda que a maioria dos republicanos da época fossem brancos, o Republican Party foi fundado por abolicionistas e apoiava a igualdade racial. Os democratas sulistas usavam o termo de forma pejorativa, acreditando que a vitória de Abraham Lincoln em 1860 levaria a revoltas dos escravos. O uso do termo continuou após a Guerra Civil Americana para refletir a visão dos opositores aos republicanos radicais (uma facção do Republican Party) durante o período da Reconstrução (período da história americana pós-guerra civil que vai de 1865 a 1877).  No século seguinte o termo passou a designar especificamente os negros afiliados ou eleitores do Partido Republicano.

Republicanos negros, como Colin Powell, são adeptos de idéias sociais articuladas pelos primeiros republicanos radicais, como Frederick Douglass, ao mesmo tempo que apoiam a mensagem de auto-empowerment de Booker T. Washington. Muitos conservadores sociais negros mantém uma visão bíblica de empowerment, ainda que apreciem a ênfase de Booker na realização pessoal.

III. Pensadores

Booker Taliaferro Washington

Booker Taliaferro Washington (5 de abril de 1856-14 de novembro de 1915), educador e reformador, primeiro presidente e principal desenvolvedor do Tuskegee Normal and Industrial Institute (hoje Tuskegee University), e o mais influente porta-voz dos negros americanos entre 1895 e 1915.

Washington acreditava que os melhores interesses dos negros na era pós-Reconstrução poderiam ser realizados através da educação nas habilidades manuais e industriais e no cultivo das virtudes da paciência, do empreendedorismo, e da poupança. Incitava outros negros a cultivar suas habilidades na indústria e na agricultura para adquirir segurança econômica. Assim, a aquisição de riqueza e cultura iria gradualmente ganhar respeito e aceitação para eles. Isto levaria à derrubada das divisões entre as duas raças e levar à igualdade de cidadania para os negros afinal. No seu discurso histórico (18 de setembro de 1895) para uma audiência racialmente mista, numa exposição em Atlanta, Washington expôs sua abordagem pragmática na famosa frase: “Em tudo que é puramente social podemos estar separados como dedos e ainda assim ser um só, como uma mão, em tudo que é essencial ao progresso mútuo.”

Frederick Douglass

Frederick Douglass foi uma testemunha e uma vítima da escravidão e do preconceito. Sofreu com a separação de sua família pelo seu mestre, e foi submetido a castigos físicos como chicotadas. No sul dos EUA, antes da guerra civil, era ilegal ensinar escravos a ler e escrever, mas Douglass aprendeu de qualquer jeito, e secretamente educou outros escravos. Depois de conseguir escapar, participou exaustivamente de reuniões dos movimentos anti-escravagistas no norte dos EUA por mais de duas décadas.

Douglass adotou o ideal de liberdade igualitária. Apoiava o sufrágio feminino, confiante de que as mulheres tem o mesmo direito a tudo que os homens tem. Buscava a tolerância para imigrantes perseguidos. Além-mar, uniu-se a Daniel O’Connell na demanda pela liberdade aos irlandeses, e conferenciava junto com Richard Cobden e John Bright, discursando sobre o livre comércio.
Douglass acreditava que a propriedade privada, o empreendedorismo competitivo e a auto-ajuda são essenciais para o progresso humano. A propriedade, escrevia, produziria para nós a única condição sobre a qual qualquer pessoa pode atingir a dignidade e a verdadeira humanidade… conhecimento, sabedoria, refinamento, educação, todos são fundados no trabalho e na riqueza que o labor traz… sem dinheiro, não há tempo livre, sem tempo livre não há pensamentos, sem pensamentos não há progresso.

Martin Luther King Jr.

Destacado orador e ativista pelos direitos civis, Martin Luther King Jr. é melhor conhecido pela sua luta na igualdade de direitos para os negros americanos. Envolveu-se no movimento do boicote aos ônibus em Montgomery contra a segregação racial no transporte público, e lutou pela reforma do direito ao voto (Voting Rights Act). Evangélico da tradição batista, fez dos seus ensinamentos uma verdadeira doutrina de amor ao próximo e de como melhorar o mundo de maneira não-violenta. King, em oposição a radicais como Malcolm X, defendia que a luta pelos direitos deveria ser feita de maneira pacífica, pois a não-violência é um modo de protesto que só os homens de coragem podem enfrentar.

IV. Na cultura popular

Talvez a série de televisão que melhor apresenta personagens negros e conservadores seja Um Maluco No Pedaço (The Fresh Prince of Bel-Air). O personagem de Will Smith, um jovem malandro e irresponsável da Filadélfia, confronta uma realidade diferente quando vai morar com a sua tia, na casa da família Banks em Bel-Air (Los Angeles). A cultura da casa é conservadora e ordeira. Os residentes, em sua maioria, primam pela responsabilidade, pela coesão familiar, e pelo desenvolvimento individual de cada um. Os exemplos mais fortes:
Philip Banks (Tio Phill), um conceituado advogado de Bel-Air. Rigoroso e orgulhoso de seu trabalho, preocupa-se com sua imagem pública. É um pai e marido atencioso: preza rigorosamente pela educação de seus filhos Carlton, Hillary e Ashley.
Carlton Banks, extremo oposto do Will. Com aparência e comportamento de “mauricinho”, inteligente embora não muito esperto, veste-se, via de regra, com uma roupa social bem característica dele, e que é motivo de chacota para o Will. No entanto, é o Carlton que ajuda o Will quando este precisa. E não são poucas vezes: para estudar, para conseguir dinheiro ou até mesmo para conseguir conquistar uma gata mais “refinada”.
Geoffrey Barbara Buttler, o mordomo da casa. Acostumado a trabalhar com aristocratas ingleses, Geoffrey, mesmo em sua posição de empregado, é o mais esnobe e ao mesmo tempo o mais refinado na casa dos Banks. No entanto, Geoffrey também é um personagem sarcástico, e não perde uma boa oportunidade de tirar com a cara do Will. Devido ao fato dos telespectadores americanos não estarem familiarizados com ingleses negros, a personalidade de Geoffrey foi mudando ao longo da série para americanizá-lo. Ao longo da série ele fica mais sarcástico e bem-humorado, e menos metódico também.
V. No Brasil:
Embora hoje no Brasil a direita não esteja representada partidariamente, ela é visível em manifestações daqueles grupos a que a mídia se refere como “bancada evangélica” ou “bancada ruralista” e mais recentemente nas marchas contra o aborto e marchas contra a corrupção. Conforme pesquisas e referendos confirmam, o brasileiro é um povo bastante conservador. É a favor do porte de armas, de penas mais severas para os bandidos, da redução da maioridade penal, é contrário ao aborto, a legalização das drogas, da prostituição, etc.

Os negros brasileiros não estão de fora, embora não formem um movimento organizado como o que vemos nos EUA.

Estima-se que a população negra no Brasil represente uns 6,9% do total. Em números absolutos, seriam cerca de 13 milhões de pessoas. Estima-se também que a maioria dos negros (11 milhões) pertença a alguma denominação religiosa de cunho evangélico. No entanto, existem também grupos negros entre os católicos, como a tradicional Irmandade dos Homens Pretos que tem mais de 320 anos de existência.


A Irmandade dos Homens Pretos, associação cristã negra mais tradicional do Brasil.

Figuras Históricas que podem ser relacionadas com a direita, entre os negros, no Brasil:

Agostinho José Pereira

Agostinho José Pereira é considerado pelo Movimento Evangélico Negro como o pioneiro do protestantismo no Brasil. Fundador da Igreja do Divino Mestre, que é considerada pelo Movimento Evangélico Negro como a primeira igreja protestante no Brasil, apesar de a historiografia “oficial” não a reconhecer como tal.

Tal como muitos ativistas cristãos da época, Agostinho defendia a libertação dos escravos desde uma perspectiva bíblica. Pregava para negros e negras libertos, ensinava-os a ler e escrever, e foi responsável pela difusão do Evangelho entre os negros livres do Brasil em plena época da escravidão, e sob forte repressão do Estado à liberdade religiosa.

João Cândido Felisberto



Gaúcho e descendente de ex-escravos, João Cândido Felisberto ingressou na escola Companhia de Artífices Militares e Menores Aprendizes no Arsenal de Guerra de Porto Alegre aos 13 anos, por recomendação de um amigo da família, o capitão-de-fragata Alexandrino de Alencar. Ainda antes de ingressar nesta escola, e portanto antes mesmo de ser marinheiro, João Cândido Felisberto foi soldado sob comando do General Pinheiro Machado na Revolução Federalista, ao lado dos federalistas e em oposição aos republicanos (que defendiam  um governo mais centralizado).
O uso da chibata na Marinha, para castigos corporais, havia sido oficialmente abolido em 1889, mas continuava a ser usado a critério dos oficiais.

Em 22 de novembro de 1910, ele assume o comando do encouraçado Minas Gerais e da esquadra a ele subordinada – somando 2.379 homens, 3 encouraçados e um cruzador – na sublevação contra os castigos corporais aplicados aos marinheiros. Este episódio fica registrado na história como Revolta da Chibata.

André Pinto Rebouças


Engenheiro, inventor e abolicionista, ganhou fama no Rio de Janeiro, então Capital do Império, ao solucionar o problema de abastecimento de água, trazendo-a de mananciais fora da cidade.
Servindo como engenheiro militar na guerra do Paraguai, André Rebouças desenvolveu o torpedo, uma inovação tecnológica nunca oficialmente reconhecida e creditada a ele, mas que viria a provar seu poder como arma marítima nas guerras de tonagem da Marinha Alemã na Primeira e na Segunda Guerra Mundial.

Ao lado de Machado de Assis, foi um dos representantes da classe média brasileira com patente ascendência africana e uma das vozes mais importantes em prol da abolição da escravatura. Foi, além de articulista, tesoureiro da Confederação Abolicionista e um dos grandes financiadores da campanha da mesma no Rio de Janeiro.
André Rebouças foi integrante dos Voluntários da Pátria, participando do Cerco de Uruguaiana e fazendo amizade com o Conde D’Eu. Participa também do combate em Passo da Pátria e da defesa de Tuiuti.

Fiel à monarquia, opôs-se aos republicanos e acompanhou a Família Imperial brasileira a caminho do exílio.

Uma história a desbravar

É pouco estudada, na historiografia brasileira, o papel ativo do negro na sociedade. Via de regra, ele é sempre exibido nos livros ou como uma personagem passiva ou reativa. Dá-se pouca visibilidade ao que o negro atingiu por si e pela sua integração social, em vez daquilo que autoridades decidiam em seu nome. Nem todos sabem, por exemplo, que quando foi promulgada a Lei Áurea, mais de 90% dos negros brasileiros já eram livres – porque arranjaram meios de comprar a própria alforria ou de fugir, ou que as conhecidas “sinhás pretas” enriqueciam e prosperavam através do comércio. O que se sabe também sobre movimentos políticos organizados por negros, como a FNB (Frente Negra Brasileira) ou a Ação Imperial Patrianovista Brasileira, é muito pouco. Outro aspecto interessante, pouco mencionado: até o início da década de XX, os negros identificavam-se majoritariamente com a Monarquia, em detrimento da República. O movimento patrianovista, por exemplo, pretendia a restauração da monarquia e um Estado confessional.

VI. Conclusão

Talvez pelo fato da identificação racial não ser algo tão característico no brasileiro como é no americano, pela falta de representatividade partidária e, ultimamente, pela exposição excessiva à retórica classista da esquerda e sua ilusão sedutora de um racismo institucional benéfico, os negros no Brasil não tenham ainda se organizado em torno de um partido mais conservador para defender seus interesses na arena política.


O resultado disso é que o negro acaba sendo engolido pela retórica populista do apelo às minorias: deixa de ser agente político para ser agenda política. Diluída sua identidade dentro do discurso das minorias, ele é forçado por associação a assumir uma não-identidade: o não-branco, o não-maioria, o não-careta. A obliteração da sua real identidade e dos seus reais interesses, se dá pela política do balaião: minorias somadas são maioria. Como se fosse um preço a pagar por ser minoria, o negro é obrigado a aceitar coisas que ele repudia, porque está impelido a isso por associação com outras minorias ou grupos militantes, que pouco ou nada tem a ver com suas necessidades, interesses e valores.
Qual seria a saída? Um resgate histórico das tradições e valores que se foram perdendo ao longo do processo de “minorificação” da política e sua obliteração da identidade negra? A organização de uma nova frente negra brasileira dedicada ao empowerment de suas comunidades, através da educação e da transmissão de valores familiares? Um compromisso sério de fortalecer estas mesmas comunidades através do empreendedorismo? A dedicação individual ao estudo, à formação e o desenvolvimento pessoal? Não sei. A resposta para essas perguntas vai depender do quanto os movimentos políticos já organizados estão conscientes da importância destes brasileiros, de quão desejosos e receptivos estão para sua participação política e para sua força como agente de transformação e recuperação das instituições democráticas, tão abaladas pelo discurso maniqueísta da guerra de classes, pela política do balaião, pelo escambo de votos por cotas e pelo jogo de interesses completamente alheios aos interesses do cidadão.

Fonte: http://direitasja.com.br/2012/04/15/o-negro-e-a-direita/

sábado, 28 de março de 2015

(Vídeo) - Thomas Sowell analisa as políticas de ação afirmativa pelo mundo

Podcast com Paulo Cruz - um Negro inteligente! - 162º Podcast Mises Brasil - Paulo Cruz

http://www.mises.org.br/FileUp.aspx?id=374

“Um exemplo notável dentre os que se posicionam contrariamente a essa perspectiva e instrumentalização ideológica do racismo é o professor de filosofia da rede pública estadual de São Paulo e mestrando em Ciência da Religião, Paulo Cruz. Ele próprio negro e tantas vezes vítimas de racismo, autor de um texto demolidor sobre o Dia da Consciência Negra, Paulo analisou nesta entrevista ao Podcast do Instituto Mises Brasil as origens do problema maior que ajudam a explicar o comportamento e o discurso dos integrantes do movimento negro, e não apenas daqueles que aparecem no vídeo gravado na USP.” (Bruno Garschagen)

http://www.mises.org.br/FileUp.aspx?id=374

PODCAST 162 – PAULO CRUZ

Na semana passada, foi publicado um vídeo lamentável em que uma aula na Universidade de São Paulo (USP) é interrompida por integrantes do movimento negro que reagem agressivamente contra o que consideraram o maior dos absurdos, que foi o pedido de um aluno para continuar a ter aula e que aquela catilinária fosse realizada em outro local.

Destilando todos os chavões ideológicos de esquerda, os integrantes do tal movimento começaram a insultar todos os alunos da sala e uma senhorita de olhar raivoso disparou uma frase que é pura poesia pacifista: “quando o oprimido fala, o opressor cala a boca”.

Esse tipo de discurso e comportamento tem se tornado cada vez mais comum. A diferença hoje em dia é que há pessoas com coragem para reagir e contestar a ideologização da discussão sobre o racismo que inicia com a imposição agressiva de uma agenda política que, longe de debatê-lo, intensifica o problema ao dividir brancos e negros à maneira trotskista de “nossa moral e a deles”.

Um exemplo notável dentre os que se posicionam contrariamente a essa perspectiva e instrumentalização ideológica do racismo é o professor de filosofia da rede pública estadual de São Paulo e mestrando em Ciência da Religião, Paulo Cruz. Ele próprio negro e tantas vezes vítimas de racismo, autor de um texto demolidor sobre o Dia da Consciência Negra, Paulo analisou nesta entrevista ao Podcast do Instituto Mises Brasil as origens do problema maior que ajudam a explicar o comportamento e o discurso dos integrantes do movimento negro, e não apenas daqueles que aparecem no vídeo gravado na USP.

Com uma perspectiva crítica aos fundamentos (ou sua ausência) que norteiam os grupos que supostamente atuam em defesa dos negros, Paulo afirma que “o debate sobre o racismo passa, primeiro, pela identificação dos negros que querem discutir o problema sem ficar refém de uma ideologia”. Ele não tem dúvida de que é preciso escapar dessa carona ideológica. “A gente sentou no banco do passageiro do marxismo. Já está mais do que provado que o marxismo, e não só no Brasil, utiliza os negros como um discurso para fragmentar a sociedade seguindo o lema dividir para conquistar”.

Sobre a intervenção estatal com políticas públicas que atendem reivindicações daqueles movimentos, Paulo é enfático: “o estado não resolve o problema do negro. O estado não acaba com o racismo, por exemplo. Não é lei antiracismo que acaba com o racismo”.

A entrevista do professor Paulo Cruz para o Podcast do Instituto Mises Brasil vai lhe fazer olhar para o problema do racismo e de seu uso ideológico de uma maneira completamente diferente da que se vê nos debates públicos.

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A música da vinheta de abertura é o Cânone do compositor alemão Johann Pachelbel executada pelo guitarrista Lai Youttitham.

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Todos os Podcasts podem ser baixados e ouvidos pelo site, pela iTunes Store e pelo YouTube.

E se você gostou deste e/ou dos podcasts anteriores, visite o nosso espaço na  iTunes Store, faça a avaliação e deixe um comentário.

 

quinta-feira, 26 de março de 2015

O Nacional-Socialismo Negro

O Nacional-Socialismo Negro

por ERIC ABREU*
hitlerpreto

Um vídeo mostrando um bate-boca em torno da questão das cotas raciais na Universidade de São Paulo evidencia um grave problema que a sociedade brasileira tem de debater com seriedade: a escalada do autoritarismo do movimento negro, que já descamba para o totalitarismo. Nutridos pela retórica da luta de classes, pela criação de políticas públicas que atentam contra a meritocracia e munidos do espaço hoje ocupado pela esquerda, a versão afro-tupiniquim do Nacional-Socialismo avança de maneira preocupante.

No evento da USP, um grupo de alunos interrompe uma aula de microeconomia da Faculdade de Economia e Administração (FEA) para falar sobre cotas raciais. De forma rude, o grupo faz a pergunta capciosa: “deem uma olhadinha em volta para perceber a diferença de cor”. A professora sugere que o grupo discuta em outro horário, mas a turba insiste. Contrariado, o dono do celular que grava a cena sugere que quem quiser passar no vestibular deve estudar e não partir para o vitimismo. Uma das integrantes se dirige em tom raivoso com os dizeres: “quando o oprimido fala, o opressor cala a boca”. Foi aí que se deu o caos.

Encorajados pelos ideólogos infiltrados no sistema político e judiciário e pela propagação de ideias progressistas nos meios de comunicação, os radicais do movimento negro agora se animam para dizer abertamente que pretendem estabelecer uma hegemonia racial. Nos últimos anos se multiplicaram os grupos e páginas que exortam a supremacia negra nas redes sociais, em especial no Facebook. 

Páginas como Negra Diva e Geledés espalham para uma massa de desavisados e inocentes úteis um vitimismo perigoso e sedutor que nada mais é do que um fascismo camuflado.

Há pouco tempo, houve uma polêmica aparentemente irrelevante sobre o uso do turbante. Algumas militantes argumentaram que mulheres brancas não poderiam usar turbantes, pois se trata de “uma apropriação indevida da cultura dos negros”. Outras polêmicas levantadas foram a respeito de mulheres negras que alisam os cabelos (consideradas pelas militantes traidoras da raça), e o suposto racismo de pessoas que não acham esteticamente bonito o uso dos cabelos naturalmente crespos por mulheres negras, que foi prontamente traduzido como racismo. São discussões pueris que mostram a quem quiser ver o inequívoco caráter racista desses grupos.

Essa militância cega de ódio começa a acreditar em uma série de mentiras históricas a respeito da questão racial, baseando-se em uma mistura explosiva de proselitismo racial e marxismo. A grande esquerda, que se utiliza desses grupos para se impor em todas as frentes através de uma falsa narrativa de luta pela igualdade, pode até se beneficiar do discurso truculento do racismo negro, mas também tende a ser picada pela serpente que alimenta. Prova disso foi o que aconteceu com o deputado do PSOL do Rio, Jean Wyllys. Em um debate sobre o Dia da Consciência Negra, o deputado é interpelado por ter defendido o seriado “Sexo e as Nega” de Miguel Falabella, das acusações de racismo. Contrariadas, algumas feministas resolvem metralhar o parlamentar, chegando a chama-lo de “afro conveniente”, ou alguém que se apropria do discurso do movimento negro para se promover dentro do meio político.

Toda a problemática da radicalização do movimento negro não se resume ao vitimismo e ao politicamente correto; vai além: esses grupos agora passaram a se ver acima da lei e dos direitos dos outros em nome de uma suposta bandeira de igualdade. E isso se volta contra o próprio negro, que passa a ser emparedado tanto por aqueles que o julgam vitimista como seus pares militantes, quanto pelos próprios pares militantes que o enxergam como traidor. Um dos exemplos que melhor ilustram esse paradoxo foi o estudante Fernando Silva, mais conhecido como Fernando Holiday. Após se classificar no vestibular para o curso de Filosofia da Universidade Federal de São Paulo, o jovem publicou um vídeo nas redes sociais criticando o movimento negro. Foi o suficiente para que a estudante de Pedagogia Renata Prado resolvesse “ensinar o calouro a ser negro”. Em meio a ameaças de agressão física que incluíam até a mutilação da genitália, ela é apoiada por outros militantes. Um rapaz se refere ao jovem como “negro domesticado”, enquanto uma moça diz claramente que “ou os negros pensam igual ou perecem no holocausto revolucionário”, parafraseando uma frase atribuída ao pai do comunismo Karl Marx. Em outro post, a autora das ameaças diz não temer nenhum tipo de denúncia, demonstrando que esses grupos já entenderam que, como se apresentam como vitimas da história, logo estão acima do bem e do mal.

O que se passa no Brasil segue o mesmo roteiro triste que aprofundou as divisões raciais nos Estados Unidos. Por lá, o ideário da esquerda se apropriou da luta por igualdade racial, produzindo vários monstros. A história de ativismo esquerdista começa com o ideal etnocêntrico do Pan-africanismo de Marcus Garvey, que pretendia levar os negros de volta para a África. Imbuído na tentativa de salvar os homens de cor da opressão, Garvey acabou por se tornar um líder racista que via com bons olhos a segregação racial. Sua paranoia pela pureza racial foi tamanha que ele chegou a se encontrar com o líder da Ku Klux Klan, Edward Young Clark, para debaterem pontos comuns em suas agendas. Mais tarde veio a Nação do Islã, fundada pelo suprematista Wallace Fard Muhammad, que teve nomes do naipe de Elijah Muhammad Louis Farrakhan. Misturando antissemitismo e elementos do marxismo e fascismo aos ensinamentos do Alcorão, a seita foi responsável por vários crimes nos Estados Unidos. De lá veio Malcolm X, um ex-detento que se tornou porta-voz da Nação do Islã. Mais tarde, ele seria assassinado após formar uma dissidência do grupo comandado por Elijah Muhammad.  A propósito, esses nomes árabes e africanos passaram a ser adotados por nativos americanos que não queriam mais utilizar o que chamavam de “nomes de escravos”, sendo que o habito ainda é comum nos estados unidos. Assim como Marcus Garvey, a Nação do Islã também mantem relações cordiais com movimentos suprematistas brancos. Em 1962, por exemplo, George Lincoln Rockwell, líder do Partido Nazista Americano, foi convidado por Elijah Muhammad para falar sobre os pontos que tinham em comum na sede da Nação do Islã. Grupos piores e mais violentos, como o Partido dos Panteras Negras e o Exército Simbionês de Libertação, misturando todo o ideário racista e revanchista com elementos do maoísmo, se tornaram ameaças à sociedade americana. Ao contrário dos Panteras Negras, que entraram em declínio após várias investidas do FBI, o Exército Simbionês foi além, mesmo sendo uma organização bem menor. Eles cometeram vários atos violentos como assaltos a banco e assassinatos. Por incrível que pareça, os dois grupos ainda despertam simpatia dentro e fora dos Estados Unidos.

Esse fenômeno não deve ser encarado apenas como manifestação de ignorância, uma vez que essa ignorância é estimulada e insuflada pela impunidade aos excessos desses movimentos. Por hora eles estão enfrentando tudo e todos, passando por cima de indivíduos que supostamente não agem como negros, e são apoiados indiretamente pelo discurso do governo de que há uma “elite branca que odeia os pobres e os negros interessada em derrubar o Partido dos Trabalhadores”. Quem não se lembra daquele adesivo infame com os dizeres “Negro consciente vota Dilma presidenta”?

Em sua obra-prima “As Origens do Totalitarismo”, Hannah Arendt lembra que somente duas correntes ideológicas conseguiram sobreviver à racionalidade, “uma que interpreta a história como uma luta econômica de classes, e a que interpreta a história como uma luta natural entre as raças”.  Eis o marxismo e o racismo.

Esses indivíduos que, imbuídos de uma crença cega, se veem no direito de apelar até para a violência, representam a maior das ameaças para a democracia e união da sociedade, uma vez que fomentam o ódio e almejam constituir uma hegemonia étnica. Foi esse o sentimento que levou um jovem soldado e militante político simpático aos ideais socialistas a fundar o Partido dos Operários Alemães, atribuindo aos judeus boa parte da responsabilidade sobre a humilhação imposta à Alemanha pelo Tratado de Versalhes ao fim da Primeira Guerra Mundial. Mais tarde o jovem se envolveria em outros eventos políticos e fundaria o Partido Nacional-Socialista Alemão, que levaria seu país a uma aventura expansionista e ao extermínio de seis milhões de judeus e ciganos. Quando grupos passam a repetir o mesmo comportamento visto em tempos anteriores por outros que descambaram em violência e autoritarismo, a sociedade deve acender o sinal de alerta. Quanto aos militantes, eles sempre se justificarão alegando injustiças históricas, opressão por parte da sociedade branca patriarcal e capitalista, e não reconhecerão em nenhum momento que o que estão reivindicando é dominação e segregação, não igualdade. O racismo do Movimento Negro brasileiro é mais um ovo de serpente do marxismo.

*Eric Abreu é estudante de Relações Internacionais e criador do blog O Reacionário.

Fonte: http://www.institutoliberal.org.br/blog/o-nacional-socialismo-negro/

Negros Inteligentes contra "o movimento negro esquerdopata".


O Movimento Negro não me representa!
A opinião de um negro sobre a lamentável atitude do Movimento Negro na USP e em todas universidades públicas do país.
Posted by Fernando Holiday on Quinta, 19 de março de 2015